A human brain being measured  with a measuring tape. Human Intelligence

Human Intelligence: Historical influences, current controversies, teaching resources.


 
 
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Jean-Marc Gaspard Itard

(24 de abril de 1775 – 5 de julho de 1838)
Médico Francês


Influências

  • Aluno de:
  • Influenciado por:
  • Alunos:
  • Influenciou:
  • Período Histórico: Fundamentos Históricos

Educação

  • Educado desde a infância para ser um comerciante
  • Médico prático durante a Revolução Francesa
  • Estágio Cirúrgico (1796)

Carreira

  • Cirurgião Hospitalar, em Toulon, França (1796)
  • Médico-chefe, Instituição Nacional de Surdos-Mudos, Paris (1800-?)
  • Seu trabalho com “O menino selvagem de Averyon” (The wild boy of Aveyron) levou-o a ser homenageado pela Academia Francesa de Ciências

Definição de Inteligência

“Se considerarmos a inteligência humana no período da primeira infância, o homem não aparenta ainda elevar-se acima do nível de outros animais. Todas suas capacidades intelectuais são estritamente limitadas ao círculo estreito de suas necessidades físicas. É por si só que as operações da sua mente são exercitadas. A Educação deve então apreendê-las e aplicá-las à sua instrução, ou seja, a uma nova ordem de coisas que não tenha conexão com as suas primeiras necessidades. Tal é a fonte de todo o conhecimento, de o todo progresso mental e das criações dos gênios mais sublimes. Qualquer grau de probabilidade que possa ter nesta ideia, eu apenas as repito aqui como ponto de partida no caminho para a realização deste último objetivo” (Itard, 1801/1962).

Principais Contribuições

  • Fundador da otorrinolaringologia
  • Professor da criança conhecida como “O menino selvagem de Averyon” (The wild boy of Aveyron)
  • Patriarca da educação especial
  • Influenciou o trabalho de seu aluno, Dr. Eduard Séguin, que por sua vez influenciou sua aluna, Maria Montessori

Ideias e interesses

Jean-Marc Gaspard Itard foi educado para ser um comerciante, mas durante a Revolução Francesa ele ingressou no exército e tornou-se cirurgião assistente em um hospital militar de Toulon.  Ele não teve nenhum treinamento científico e recebeu sua educação médica “no próprio trabalho” (“on the job”) (Gaynor, 1973; Pinchot, 1948). Ele demonstrou talento considerável para medicina e, em 1796, ele começou um estágio cirúrgico formal em Paris. Em 1800, ele foi nomeado Médico-Chefe na Instituição Nacional para Surdos-Mudos em Paris. Suas realizações nessa função foram inúmeras: ele escreveu um livro muito influente sobre doenças do ouvido, inventou o catéter de Eustáquio (agora conhecido como “Cateter de Itard”) e concebeu vários métodos novos para educar e tratar a surdez. Seu trabalho com a criança conhecida como “O menino selvagem de Averyon” (The Wild Boy of Aveyron) valeu-lhe uma reputação internacional e hoje ele é reconhecido como um dos pais da educação especial (Gaynor, 1973, Humphrey, 1962).

Em 1799, três esportistas franceses estavam explorando uma floresta no sul da França, quando se depararam com um jovem garoto. Eles acharam que ele tinha onze ou doze anos, e ele estava sujo, nu e coberto de cicatrizes. O garoto correu deles, mas foi pego quando parou para subir em uma árvore. Os esportistas trouxeram-no para um vilarejo próximo e deixaram-no aos cuidados de uma viúva. Enquanto a história de sua captura se espalhava, os moradores locais começaram a relatar que um jovem garoto nu havia sido visto na floresta cinco anos atrás. Presumiu-se que ele tinha vivido sozinho por muitos anos e que ele sobreviveu comendo tudo o que ele pudesse encontrar ou apanhar. (Itard, 1801/1962).

O garoto escapou da viúva e passou o inverno seguinte rondando a floresta, sozinho. Ele acabou sendo recapturado e colocado em um local seguro sob custódia. Um oficial do governo Francês ouviu falar dele e sugeriu que o levassem a Paris onde ele poderia ser estudado como exemplo da mente humana em seu estado primitivo (Itard, 1801/1962). No entanto, os eminentes médicos parisienses que o examinaram declararam que ele não era de todo “selvagem”. A opinião coletiva deles era de que o garoto mentalmente deficiente e que ele teria sido abandonado recentemente pelos pais. O famoso psiquiatra Philippe Pinel Fez descreveu isto sucintamente quando disse que o menino era de fato “um idiota incurável” (Gaynor, 1973).
Itard discordou. Ele acreditava que o garoto teria sobrevivido sozinho na floresta por pelo menos sete anos, citando como evidência sua “profunda aversão à sociedade, seus costumes e seus artefatos” (Itard, 1801/1962). Ele afirmou que sua aparente deficiência mental seria inteiramente devida à falta de interação humana. Além disso, ele acreditava que isto poderia ser superado. Ele trouxe o garoto, que finalmente foi chamado de “Victor”, para a Instituição Nacional para Surdos-Mudos e dedicou os cinco anos seguintes a um programa educacional intensivo e individualizado (Humphrey, 1962; French 2000). Esse foi o primeiro exemplo de um IEP (Individualized Educational Program – Programa Educacional Individualizado) e o início da educação especial moderna (Gaynor, 1973; Humphrey, 1963; Pinchot, 1948).

Itard identificou cinco objetivos primários para seu aluno:

  1. Criar o interesse na vida social
  2. Melhorar sua consciência dos estímulos ambientais
  3. Expandir o alcance de suas ideias (ex: introduzi-lo a jogos, cultura, etc.)
  4. Ensiná-lo a falar
  5. Ensiná-lo a se comunicar usando sistema de sinais, como figuras e palavras escritas

Itard foi influenciado pelos filósofos empiristas John Locke e Etienne Condillac, os quais avançaram a ideia de que todo conhecimento vem dos sentidos. A visão e audição de Victor eram normais, mas suas respostas às estimulações sensórias eram frequentemente lentas ou inexistentes. Por exemplo, ele se alertava ao menor ruído de uma noz quebrando, mas não se assustava com o som de um tiro. Itard argumentou que Victor não poderia aprender efetivamente até que ele se tornasse mais atento ao seu ambiente. Portanto, sua abordagem educacional baseou-se intensamente em treinamento sensório e estimulação (Humphrey, 1962; Itard 1801/1962).

Victor melhorou, mas nunca se aproximou da normalidade. Depois de cinco anos, ele podia ler e falar poucas palavras, demonstrava afeto a seus cuidadores e podia executar comandos simples. Itard estava desapontado com esta falta de progresso, mas ele manteve sua posição ambientalista, declarando que teria sido bem sucedido se Victor fosse alguns anos mais novo. (Pinchot, 1948). Como se vê, Philippe Pinel e outros médicos provavelmente estavam certos. Leitores modernos do relato pessoal de Itard geralmente chegam à conclusão que Vitctor era de fato atrasado mentalmente ou autista (French 2000; Humprhey, 1962; Pinchot 1948).

O fato que Itard falhou em fazer Victor “normal” é relativamente sem importância para essa história. O importante é que ele tentou. Ele foi o primeiro médico que declarou que um ambiente enriquecido poderia compensar atrasos desenvolvimentais causados por hereditariedade ou privação prévia (French, 2000). Até essa época, assumia-se que as pessoas com retardo mental eram ineducáveis (Humphrey, 1962). Assim como um escritor coloca, o trabalho de Itard com Victor “acabou com o sentimento paralisante de desesperança e inércia que mantinha a profissão médica e todos os outros à parte de tentar fazer alguma coisa construtiva para deficientes os mentais” (Kanner, 1967).

A influência de Itard foi estendida mais além através do trabalho de seu aluno, Eduard Séguin. Séguin aperfeiçoou e expandiu a abordagem de treinamento sensorial de seu professor e colocou-a em prática em escolas especiais para alunos com atraso. Ele ganhou fama tanto na Europa como no exterior pelo seu teste de inteligência não-verbal, que também teve raízes no trabalho de Itard (Frenche, 2000; Humphrey, 1962; Kanner, 1967). Maria Montessori desenvolveu seus métodos em grande parte modificando a abordagem educacional de Séguin. Através dela, Jean-Marc Gaspard Itard teve um impacto sobre milhares de escolares com desenvolvimento normal em todo o mundo (Frankel, et al., 1975; French, 2000; Humphrey, 1962).

Publicações selecionadas

Itard, J.M.G. (1962). The wild boy of Aveyron. (G. Humphrey & M. Humphrey, Trans.). New York: Appleton-Century-Crofts. (trabalho original publicado em 1801e 1806).

Referências

Frankel, M.G., Happ, F.W. & Smith, M.P. (1975). The relation of historical and contemporary theories to functional Teaching. In Functional teaching of the mentally retarded. Springfield, Ill: Charles C Thomas.
French, J.E. (2000). Itard, Jean-Marie-Gaspard. In A.E. Kazdin, (Ed.) Encyclopedia of psychology. Oxford: Oxford University Press.
Gaynor, J.F. (1973). The “failure” of J.M.G. Itard. Journal of Special Education, 7(4), 439-445.
Humphrey, G. (1962). Introduction. In J.M.G. Itard (Au.). The wild boy of Aveyron. New York: Appleton-Century-Crofts.
Kanner, L. (1967). Medicine in the history of mental retardation. American Journal of Mental Deficiency, 72(2), 165-170.
Pinchot, P. (1948). French pioneers in the field of mental deficiency. American Journal of Mental Deficiency, 3(1), 128-137.
A foto é cortesia da Biblioteca Nacional de Medicina (National Library of Medicine).

Tradução: Gustavo Seiji Shigaki

Supervisão e revisão técnica: Patrícia Silva Lúcio


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Last Modified: 20 December 2016